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Whitney Madueke | Art

É Possível Voltar a Sorrir? Retornando à Black Joy!

Na coluna do mês passado, eu me referi ao termo Black Joy e como ele é uma forma de resistência dentro da comunidade negra, tanto no continente africano quanto na afrodiáspora.

Continuamos incessantemente nos curando dos traumas e dores que vivenciamos como pessoas negras no contexto global. Mas quais são as limitações de sermos fortes e resilientes o tempo todo? A dureza e o estoicismo têm o seu devido valor, mas eles acabam nos incapacitando de usufruir e apreciar a beleza da vida. E a beleza na vida.

Eu não sou a primeira nem serei a última a tratar desse tema, inclusive saiu ontem na revista Vogue do Reino Unido uma matéria linda e completa sobre o assunto, produzida pela escritora e jornalista Chante Joseph.

No seu texto, Chante relata a cronologia de Black Joy como um movimento de resistência e como ele esteve presente nos protestos em Londres após o assassinato de George Floyd.

A música e a dança são manifestações de ativismo poderosíssimas! Pois com a mesma moeda que o opressor usa para hipersexualizar o corpo negro (e nos reduzir à um objeto para o seu entretenimento), nós usamos a música e a dança para celebrar a nossa existência e usufruir de um dos maiores prazeres na vida.

Mas afinal, é possível voltar a sorrir?

Jonathan Ferr nos lembra que sim! Te Assistir Sorrir é o novo single do artista, que foi descrito como ‘o garoto-estandarte do jazz carioca’ pelo El Pais em 2019.

Com uma trajetória incrível (que merece uma coluna exclusiva) Jonathan Ferr, junto a May Bandeira, Denise Salles e Tania Artur, produziu um videoclipe no meio da quarentena. Cada um no seu quadrado, o vídeo foi gravado remotamente.

Confesso que estou lisonjeada em fazer parte desse projeto, que tem, e continuará tendo, uma magnitude imensurável. O elenco do vídeo é composto de gigantes da cultura afrofuturista brasileira, todos parte de um movimento que celebra a nossa existência como resistência.

Te Assistir Sorrir é, na minha opinião, uma das maiores demonstrações artísticas de resistência durante esse período sombrio e amedrontador que o Brasil (e o mundo) está vivenciando.

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O vídeo foi gravado no início de Junho, logo após o assassinato de George Floyd em Maio de 2020. Não falo pelos outros, mas falo por mim — eu estava mal, triste. Mas com a direção incrível via Google Meet e essa música tão gostosa, consegui achar uma razão para sorrir.

Que possamos nos lembrar das diversas razões para sorrir. Dia após dia.

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