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A volta para a casa é (d)a persistência de ser em insílio estrangeiro

Escrevo sob o ano novo (22 de setembro) de um ancestral, o primeiro a quem bati cabeça. Fi-lo sem saber. Seus homem e mulher me arderam a solidão de mim em mim mesma. Seus homem e mulher em canto rasgado, mas nunca endurecido, foram o que de água salguei em pranto solitário. A travessia é sempre marítima, ou feita sob água — da primordial, amniótica, até o sal despontado no rosto -. Parte-se e regressa-se pela água. Morre-se em água. A crença da nova vida dá-se igualmente assim. A jornada de volta nem sempre se lhe permanece disponível, dadas as largas distâncias produzidas e gestadas à revelia, ou silêncios, ou apagamentos, ou carências, ou banzos forjados ante o sequestro de um futuro em terra uma vez interditado. Reavê-lo quanto grandeza, e no passado, não permanece em água, mesmo se ali se chega para voltar. Há quem suporte ser insilada/e/o de si entre território estrangeiro. Há quem coexista consigo apesar de, e com, o desterro, mais generosamente dizendo. Há quem nunca volte e, ainda assim, reencontre-se e à terra mater a cada (seu) atravessar no espaço-tempo-continente presente. Há quem volte, perca-se e morra afogada/e/o nas ilusões do sonho nunca existente. Da saudade do companheiro não-nascido e a cuja vida dediquei meu exílio, do homem sempre amado, ou repetidamente odiado — tamanha covardia em ser — , e à mulher que sou, amo e quero amar, porque coletiva de todas, várias, e tantas — irmãs, amantes, ancestrais ou inimigas — , queria dizer solidão.

A existência solitária é ensejada. Finge-se viver (n)o espelho de subjetividades
reprimidas ou denegadas em sua potência. Mal se vive (n)a fantasia da sombra existencial como binário mal diagramado de um oposto luminoso, mas tão envolto em trevas quanto a própria zona escura. Reencena-se o passado de dor e abusos infligido como única economia possível, e aniquiladora, do presente e futuro não desejáveis como possibilidades em
persistência diversa. Sobrevive-se. Desta solidão, a sensação de abandono permanente. Permanente, porque sobredeterminado. Dor é consequente, não imanência. Abandono é projeto. Aliás, necroprojeto.

Qualquer sopro de vida capturável na dor de existir não sendo é direito. Resistência é direito. A insistência na vida será com amor, realizável primeiro pela compreensão de si como ato político-poético (Aza Njeri) do existir pluriverso soberano, e depois enquanto parte de coletividades reerguidas no sonho da grandiosidade redescoberta (em história, lírica e materialidade). A insistência, o ato, a reação, a travessia… Volte a casa. Não enlouqueça. É você a palavra viva e outrora salgada. Descobrimos, enfim, sobre nós. Seja o sonho. Cumpra, enfim, e agora, a promessa.

Com amor,

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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