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Algumas Reflexões Sobre o Feminismo Negro

“… O Conceito Dororidade nasceu da minha inquietude frente à Sororidade , um conceito importante e que fundamenta o Feminismo, contudo não me sentia incluída, contemplada na totalidade. Sabemos que todo conceito é circular, não se basta em si mesmo, e nessa discussão , Dororidade contém a Sororidade, mas nem sempre o contário acontece…” Vilma Piedade- Autora Livro Conceito Dororidade. Ed. NÓS/SP. 20017

Escrevo para tentar discutir o Feminismo como escuta e diálogo… Porque é apostando no diálogo, na escuta, no Feminismo Dialógico Interseccional , ainda em construção, que me coloco como Mulher Preta no Feminismo e assim estamos falando do Feminismo Negro..

Minha escrita, minha escuta, minha fala, trazem a marca das aberrações que o racismo nos imprime e nos empurra goela abaixo no cotidiano. Quando penso em diálogo, na construção de um Feminismo inclusivo, mais preto, preciso recuperar nosso princípio filosófico. Ubuntu. Eu contenho a outra… o outro. Somos Um. Somos Uma. O famoso… pegou prá uma… pegou geral. Nosso princípio é circular como as Rodas de Xirê… minha Tradição. E aí? Será que pode haver diálogo feminista e uma democracia total num país que ainda vive ancorado no mito da democracia racial? Acredito que sim. É possível.

Precisamos inserir mais mulheres nos espaços de poder. E nós, Mulheres Pretas, estamos nessa. E aí, não podemos esquecer Sueli Carneiro quando aponta (in:… Mulheres Negras e Poder; um Ensaio Sobre a Ausência) que “a relação entre mulher negra e poder é um tema praticamente inexistente. Falar dele é, então, como falar do ausente…” Então, vamos ter que dialogar com essa ausência. Dororidade. E, ainda buscar respostas para a questão lançada por Djamila Ribeiro em “Quem tem Medo do Feminismo Negro”

Nós, Mulheres Negras, somos há séculos importantes na construção e formação da sociedade brasileira. Nós somos a história. Da senzala até aqui, nossas ancestrais lutaram por justiça e inclusão e continuamos resistindo , pois “Nossos Passos vêm de Longe”.

Silenciadas pela história, pelo racismo e sexismo, violentadas pelos senhores escravocratas, nossa luta por equidade se desenvolve, na contemporaneidade, na pós-abolição. Cento e trinta e dois anos depois, e ainda temos os piores indicadores sociais, culturais e ambientais. Principalmente, agora, na Pandemia.

A escravidão deixou como legado nossos corpos marcados pela exclusão e pela imobilidade social. Nossa participação no movimento feminista brasileiro ganha visibilidade no século XX, no Brasil, na chamada terceira onda do Feminismo, mais precisamente a partir do final dos anos 1970 e 80. O movimento negro e o teatro experimental do negro avançaram no enfrentamento ao racismo, contudo não discutiam o machismo, o sexismo.

Ângela Davis junta gênero, raça e classe. No Brasil, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento , Jurema Batista, e outras Mulheres Negras perceberam a necessidade de criar um movimento que fosse protagonizado somente por Mulheres Pretas. O Feminismo começou a empretecer — Feminismo Negro. Estava lançada a questão — Feminismo Negro no Palco da História, como disse e escreveu Lélia Gonzalez..Porém, nossa contribuição, nossa resistência vêm de longe. Desde os quilombos, atravessando os terreiros de Candomblé, passando pela pequena África, pelo samba, por Tia Ciata até agora, na Marcha das Mulheres Negras, na Luta Antirracista — Vidas Negras Importam. E a Branquitude está tendo a oportunidade de falar do seu Lugar de Privilégios. E alguns estão falando e se aliando à discussão Antirracista. Afinal, nós não criamos o racismo!

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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