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Arte Negra x Negra Arte

Seminário Negra Presença, uma visitação ao Òrun

O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros — Ipeafro — e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, com impecável curadoria da diaspórica e libertária pesquisadora e doutoranda em História pela UFF Raquel Barreto, realizaram, em agosto, o imprescindível “Seminário Negra Presença: Arte, Política, Estética e Curadoria”, inserido no contexto de encerramento da arrebatadora exposição “Abdias Nascimento: um espírito libertador”, que esteve escurecendo o elíptico (e BRANCO) salão de exposições do MAC Niterói com suas obras que lançam luz ao aprofundamento das questões do mundo, através do poder estético dos Orixás e da ancestralidade.

Tive a alegria de viver o estudo, a observação e a introjeção das artes negras entre es mes. Foram 3 dias inteiros de profunda imersão e integralidade nas temáticas que orbitam as artes, pelo viés negro.

É preciso entender a dimensão, o impacto e o legado de um evento como esse. Foi a experienciação de um ideal de centralidade decolonial e descolonizadora negra nas artes, nos discursos, nas epistemologias apresentadas peles conferencistas e peles facilitadores das aulas temáticas, em dias dedicados a pensarmos os caminhos pelos quais passam as concepções e motivações políticas e estéticas nas expressões artísticas e curadorias negras. #pretesnocentro

Esse descritivo pormenorizado e redundante faz-se necessário quando alcançamos a grandiosidade das enunciações des participantes, dessa que foi a primeira manifestação das artes negras nessa magnitude.

Desde o que se define como origem das produções artísticas visuais afro-brasileiras (Prof. Hélio Menezes), passando pelas conceituações artísticas de 1950 a 1980 (Roberta Alleixo), até os impactos artísticos da negritude na contemporaneidade (Mariana Maia); os temas e as representações evocadas nas brilhantes conferências do Prof. Dr. Kabengele Munanga, Me. Raquel Barreto e Prof. Dr. Muniz Sodré, que versaram sobre ancestralidade, corporeidade, estética e resistências dos imaginários afro-diaspóricos; os debates e as intervenções artísticas, enriquecedores e catárticos, resultando em um equilíbrio dinâmico — e, por vezes, brutal — de experiências negras trocadas, que eclodiram, inevitavelmente, naquele ambiente de tônica aldeística, oral, de encruzilhadas quase terapêuticas.

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Foi como se tivéssemos acessado, a partir de nós mesmes, o Plano Ancestral, o Òrun: não uma passagem definitiva, mas o vislumbre de um plano ideal do continuum ancestral, onde a EXPERIENCIAÇÃO de sermos centrais nos impulsiona para fundarmos o mundo que queremos e merecemos, a partir das nossas nomeações, autonomeações, inscrições, autoinscrições, preservação e reverberação da memória e dos imaginários que nos constitui, nos reontologiza, nos recobra o sentido de sermos.

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Salão de Exposições durante o “Seminário Negra Presença — Arte, Política, Estética e Curadoria

Que seja o primeiro de muitos.

PROGRAMAÇÃO:

15/08 — Quinta-feira

9h — 12h

Curso: “As origens da produção artística visual afro-brasileira”, com Professor Helio Menezes

13h30 — Abertura

13h50 — Intervenção poética por Milsoul Santos. Texto: “Padê de Exu libertador”, de Abdias Nascimento

14h — Conferência “Abdias Nascimento: arte, política e ancestralidade africana”, com Kabengele Munanga

16h — Mesa de debate “Incursões negras sobre estética, política e arte”, com Carmen Luz, Filó e Haroldo Costa. Mediação: Julio Cesar Tavares

16/08 — Sexta-feira

09h — “Arte afro-brasileira de 1950 a 1980”, com Roberta Alleixo

13h50 — Intervenção poética por Milsoul Santos. Texto: “Um poema para os corações negros”, de Amiri Baraka

14h — Conferência “Emory Douglas: arte e ativismo no Partido dos Panteras Negras”, com Raquel Barreto

16h — Mesa de debate “A presença negra na curadoria: desafios e perspectivas”, com Helio Menezes e Marcelo Campos. Mediação: Thais Rocha

18h — Performance — “Labirinto de luzes”, por Reginald Adams

17/08 — Sábado

09h — “A arte contemporânea negra no Brasil”, com Mariana Maia

13h50 — Intervenção poética por Milsoul Santos. Texto: Boca Preta, de Milsoul Santos

14h — Conferência — Corpo e Dança na cultura nagô. Com Muniz Sodré

16h — Roda de conversa — Arte e artistas negras na contemporaneidade. Mediação: Keyna Eleison. Com participação de: Coletiva Trovoa, Coletivo Rato Preto, Mariah Rafaela, Milena Lizia e outras.

09h30–12h

Curso: Arte contemporânea negra no Brasil

SERVIÇO

Seminário Negra Presença

Data: de 15 a 17 de agosto de 2019, quinta a sábado

Horário: 13h

Evento gratuito

Classificação indicativa: Livre

Museu de Arte Contemporânea de Niterói

Mirante da Boa Viagem, s/n, Boa Viagem, Niterói

Written by

Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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