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Frame do filme “Besouro”

Capoeira: Gratidão à Ancestralidade

Na coluna deste mês eu gostaria de expressar a minha gratidão à Capoeira e a sua (e nossa) ancestralidade.

Este período de quarentena tem sido difícil. Para todos nós, em maior ou menor escala. E por mais que tenhamos que enfrentar os desafios (e não nos conformar com as injustiças), eu não acho produtivo comparar sofrimento. Por isso venho aqui compartilhar algo que me trouxe grande felicidade e energia, durante uma fase sombria.

A Capoeira me acolhe quando eu mais preciso de uma âncora. E, novamente, esse fenômeno ocorreu. Após mais de quatro anos sem praticar a Capoeira regularmente, eu voltei. Com distanciamento social, respeitando as normas impostas por conta da crise sanitária que estamos atravessando. Gostaria de ressaltar também que eu moro no Reino Unido, onde as coisas estão longe de ideais, mas sob controle.

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Continuo tentando processar essa ligação que eu tenho com a Capoeira. Que muitos de nós temos. E até hoje a melhor maneira que eu encontrei de expressar essa gratidão à resistência dos meus ancestrais foi em um filme de curta metragem que eu produzi ano passado.

Decidi compartilhá-lo no Coletivo Pretaria por ser um espaço onde nós compreendemos a dimensão da ancestralidade e a necessidade dessa conexão com os nossos. Hoje mais do que nunca.

Transcript do vídeo traduzido:

“Ao tentar identificar o que Londres significa para mim, decidi me conectar com a comunidade da Capoeira; uma comunidade que é extremamente celebrada em Londres.

No entanto, muitas pessoas não conhecem as suas raízes.

A capoeira foi proibida por muitos anos no Brasil; origina-se de um período de escravidão e opressão. Meus ancestrais foram escravizados no Brasil. Curiosamente eu só me conectei totalmente com as minhas raízes depois de vir para o Reino Unido. Eu sou o sonho mais ousado dos meus antepassados — poder praticar capoeira? Abertamente? Em um país conhecido pelo seu passado colonial? Loucura!

Para mim, Capoeira significa apoio. Significa ser capaz de se defender sem usar a violência em um mundo onde a violência sempre foi usada para nos oprimir. A capoeira dá voz àqueles sem voz. É o futuro honrando o passado. A Voz do Futuro.”

Este filme foi produzido por mim para a graduação da minha traineeship (BBC Future Voices) do Serviço Mundial da BBC.

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Gostaria de aproveitar esta oportunidade para convocar quem puder a contribuir para uma ótima causa: Cultivando a Raiz. Eles criaram um fundo para dar suporte financeiro para os mestres de Capoeira mais velhos em São Paulo durante a crise sanitária, COVID-19.

A iniciativa reconhece que a Capoeira deu e dá muito ao Brasil (e ao mundo). Resistência negra, é a maneira de viver de muitas pessoas que têm nela sua filosofia, sua força e em alguns casos até seu sustento. Os mais antigos são os detentores desses saberes que circulam pelas rodas. Na sua maioria gente preta e moradora das periferias, nesse momento os capoeiristas tradicionais e mais velhos são os que mais são atingidos pela pandemia.

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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