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Diversidade, Equidade e Inclusão em Tempos de Coronavírus:

O projeto Diversilibras se originou como uma extensão da Universidade Federal da Bahia — UFBA, conciliando a interseção entre a comunidade LGBT e as pessoas surdas. O psicólogo e coordenador do projeto, Álon Mauricio, lançou a chamada e hoje o Diversilibras atua independentemente como uma extensão da UFBA. Uma das suas motivações foi sua observação de que as pessoas surdas não chegavam aos consultórios sozinhas e uma pergunta pertinente foi proposta pelo psicólogo: como prover um atendimento com a presença de terceiros? Foi a partir desta necessidade e a sensibilidade de saber que pessoas surdas têm questões pessoais assim como todes que o projeto deslanchou. Primeiramente como Pessoas Surdas LGBTs, e hoje como Diversilibras (incluindo todos os indivíduos da comunidade LGBT com deficiências).

Reconhecendo que este ano está sendo atípico, nunca foi mais necessário democratizar o acesso a informação. Por conta desta demanda, o Diversilibras lançou um canal do YouTube, inaugurado há menos de duas semanas, como uma biblioteca virtual.

O tema do momento são pautas com eixo em raça. Em menos de uma semana, o canal produziu diversas traduções, como a disponibilização do meu vídeo sobre Ubuntu para BBC News Brasil em Libras, a interpretação simultânea durante a LIVE de Djamila Ribeiro e Silvio Almeida e ontem com a tradução da incrível fala de nossa mais nova COLUNISTA Pretaria Vilma Piedade, sobre seu livro e conceito Dororidade.

Estes são alguns exemplos de um grande projeto, Em Pretas Mãos: a constituição dos sinais e o contexto étnico-racial brasileiro, um curso pautado para profissionais que trabalham com pessoas surdas. O evento é uma extensão da UFBA e foi organizado por Nanci Araújo Bento e Ires dos Anjos Brito. ​

O curso “terá duração de 60 horas e destina-se a refletir a respeito do sinalário usado pela comunidade surda para expressar informações, palavras, ideias que funcionem como significantes dentro do contexto étnico-racial do país, em sua dimensão política, estética, religiosa e cultural afro-brasileira”.

Álon disse que, além destes serem temas ricos que pessoas surdas precisam acessar, o nosso contexto político demanda um posicionamento. Algo que tem ajudado muito as pessoas a lidarem com a pandemia está sendo o acesso à informação, e os cidadãos surdos têm sido privados deste acesso. Reconhecendo que “Libras é oficialmente a língua pátria de mais de dez milhões de surdos no país, é por meio deste idioma que a comunicação e a interação entre a comunidade surda e demais segmentos da sociedade acontece”.

Confesso que após a minha descoberta do Diversilibras e o impacto que o projeto está tendo nas comunidades desde 2017 (tendo sido patrocinado pelo Itaú em 2019) a minha esperança na humanidade foi ressuscitada. ​

Em tempos de fake news e desinformação, o acesso à informação se torna ainda mais primordial, e pessoas surdas, assim como ouvintes, devem ter acesso àinformação confiável e antirracista.

Fontes:
Entrevista com Álon Mauricio, coordenador do Diversilibras

Página do evento Em Pretas Mãos: a constituição dos sinais e o contexto étnico-racial brasileiro

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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