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Ninguém solta a sala virtual de ninguém.

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João Pedro Mattos Pinto, brutalmente assassinado pelo Estado, dentro da própria casa

Fui tomada de um imenso vazio.

Mais um menino preto assassinado dentro de casa.

João Pedro, presente. Presente para nos lembrar o quanto nos custa existir.

A cada 23 minutos, João Pedro Presente.

Nó. Vazio.

Operação policial em favela, em meio a uma pandemia? Rotina.

Não faltasse isso, a covid-19 nos impõe contabilizar mortos de manhã à noite.

Em sua maioria pretos, periféricos. Rotina.

Sem qualquer amparo de nenhuma autoridade, muitos de nós não sabemos se ficamos em casa ou se vamos à rua, lutar pelo básico: COMIDA.

Dentro de um jogo perverso, onde a vida não é o eixo central, estamos discutindo entre morrer pelo vírus ou morrer de fome, sendo que a segunda não devia ser uma opção. Sendo que essa também não deveria ser nem a discussão.

No comando do barco a deriva, uma reunião de monstros televisionada, cortada aos pedaços, reproduzida, repetida… dilaceram o nosso entendimento do que é Brasil.

Vazio.

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Reunião Ministerial de 22 de abril de 2020

Por mais que pareça impossível nesse momento, de alguma forma re-existir é preciso. Nos paralisar, nos calar, também é nos de abril de matar.

A morte de João Pedro e as mortes dos pretos por Covid trata do quanto o Brasil ainda está mergulhado na colonialidade e do quanto ainda opera de forma racista em todas as suas camadas de monstruosidade.

Vazio.

Pensamentos, reflexões, reconexões.

A busca leva a espaços de acolhimento virtual entre manas pretas, onde haja a possibilidade de trocas reais, sem julgamentos, sem classificações e sem disputas teóricas vazias. Dororidade.

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Luanda Maat, Tainá Salomão, Maria Amália Cursino e Katiúcha Watuze

Dororidade, conceito criado pela Escritora-Mestra Vilma Piedade, é aquilo que nos corta e nos atravessa em comum, aquilo que nos norteia, nos permeia, aquilo nos faz irmãs.

Através desses espaços travamos a reontologização de nós mesmas e de todas nós. É uma busca por todas as negações de nossas existências.

Juntas pautamos as nossas negritudes, completamos buracos, preenchemos vazios.

Não que tenhamos conseguido apagar o que provoca ceifar de vidas pretas, mas, juntas, encontramos existência possível para nós.

Juntas damos sentido àquilo que somos.

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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