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O Poder Feminino na Tradição Iorubá

No Dia Latino-americano e Caribenho de Combate à Violência Contra as Mulheres /2015 , esse artigo/pesquisa foi publicado na íntegra, no portal do IBASE. Apresentei esse trabalho, inicialmente, no Congresso LATINIDADES, em Brasília, em 2013.

Esse artigo encontra-se reduzido aqui e está na íntegra no Livro Conceito Dororidade- Ed. NÓS- Vilma Piedade.

Mas, vamos lá!

“Nos últimos 10 anos da Lei Maria da Penha houve um aumento de 54% no número de homicídios praticados contra mulheres negras e, por outro lado, uma redução de 9,8% nos homicídios contra mulheres brancas, conforme dados do Mapa da Violência da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.”

Buscando a oralidade na Tradição Africana, encontramos variadas práticas de pensamento que se ancoram nas tradições, mitos — denominados itans — que os povos africanos fundaram e se basearam para construir sua cultura, suas histórias.

Para escrever e pesquisar sobre o Poder Feminino na Tradição Iorubá , tentei me distanciar ao máximo (exercício difícil do pensamento colonizador do Ocidente) para refletirmos acerca das tradições africanas e, particularmente, sobre a trajetória mítica da Iabá — Iansã ou Oiá — que alicerça essa escrita.

Um pouco da nossa História… Quando me refiro à Tradição Iorubá faz-se necessário escurecer o texto e citar um pouco da História:

Quando viemos para o Brasil, há mais de 500 anos, fomos retirados à força de nossos territórios e escravizados aqui. Falo no masculino porque vou me reportar ao meu lugar — o lugar da Tradição. E, como tal, nos identificamos como Povos Tradicionais de Matriz Africana. Isso porque falo e escrevo esse trabalho na perspectiva do Terreiro, como Mulher de Axé. Mulher Negra, Pensadora, Ativista e de Axé.

Este texto se estrutura a partir da noção de Tradição resultante de um conjunto diverso de experiências culturais africanas e que foi “atravessado pela experiência da colonização, de modo que há também culturas coloniais em solo africano. E não é com essas experiências culturais coloniais/modernas que estabeleceremos nosso diálogo, mas com as experiências que resistem, se modificam, se rearticulam, apesar da colonização.”

Há uma diversidade de Tradições Africanas no Brasil que só se manifestam e são ritualizadas/reatualizadas nos espaços Terreiro. Porém, tem um princípio que une todas as Tradições: o princípio do acolhimento. Tem um outro princípio que nos une: a palavra.

A palavra que realiza. A palavra que vem do Axé, a palavra que tem o poder da realização.

Tradicional, portanto, não é apenas o antigo, mas aquilo que se manteve em movimento, conservou-se em mudanças, diante das forças coloniais que construíram a África, tal como, de modo geral, a conhecemos hoje. (MUDIMBE, 1988)

Mas, e o Poder Feminino na Tradição Iorubá?

Na nossa Tradição, como diz Mãe Beata de Iemanjá — o corpo carrega axé! Carrega energia vital, energia que colocamos em movimento através da dança ritual. Nosso corpo, a nível simbólico, é liberto de correntes, da culpa. Não temos a visão dicotômica do bem e do mal. Não temos e nem criamos o demônio, o Diabo, anjo caído — esse conceito não nos pertence e nem nos representa. Logo, não vivemos com a culpa do pecado, já que não há pecado pra nós.

Nosso pensamento é circular, eu me reconheço no outro; eu sou porque o outro existe; eu sou porque você me reconhece — isso é UBUNTU, nosso princípio filosófico.

Apesar de eu pertencer à Tradição Ioruba, todas as Tradições se reconhecem, não há supremacia de uma sobre outra. Há mitos, ícones, linguagens corpóreas, rítmicas e musicais que nos identifica e nos aproxima.

Que a força de todas as Mulheres… tenha o poder de transformação, do momento difícil que estamos vivendo hoje, em dias melhores!

A Ancestralidade marca nossa identidade. Portanto, agradeço a todas as mulheres negras que nos antecederam nessa luta, nessa marcha: Mãe Beata de Iemanjá, Mãe Stella de Oxóssi, Mãe Senhora, Mãe Aninha, Mãe Olga do Alaketu, Mãe Menininha do Gantois, Luiza Mahin, Tia Ciata, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Luiza Bairros, Makota Valdina e tantas outras…

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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