Image for post
Image for post
Image for post
Image for post
Capa e contracapa do folder da Declaração Universal dos Direitos Humanos impresso pelo UNIC Rio — Centro de Informações das Nações Unidas.

Qual o caráter universal da Declaração Universal dos Diretos Humanos?

Documento das Nações Unidas contempla enormemente o cisheteropatriarcado branco capitalista ocidental. Assim determinaram o biopoder e a necropolítica.

Artigo 1° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Amanhã, 10 de dezembro de 2019, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) completa 71 anos de existência. Fato irrefutável é o de que, até hoje, não alcançamos ou cumprimos enquanto sociedade sequer as premissas fundamentais de seus 1º e 2º artigos. Existe uma maioria populacional no Brasil e no mundo — no caso brasileiro, minoria de representação — que permanece às margens da cidadania e da dignidade humanas.

O atual governo brasileiro, declaradamente neofascista, neopentecostal fundamentalista, racista, classista, machista, misógino e lgbtfóbico, agravou largamente o que sempre foi uma questão histórica, social, política e econômica no país. Agora, pode-se comprar e portar armas, aumentando o atentado a vidas. Violências de toda sorte, balizadas por discursos ALTAMENTE CONDENADOS pela DUDH. Eleger essas criaturas foi abrir um precedente sócio-político-(des)humanitário do qual será difícil superá-lo, revertê-lo ou mesmo neutralizá-lo. No Estado do Rio de Janeiro, com um poder executivo igualmente inominável, se tornou, de longe, o pior Estado da federação: registrou número recorde de mortes em ações policiais em 2019, 1.546 pessoas de janeiro a outubro desse ano, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgados em 25 de novembro de 2019. 24 delas crianças e adolescentes. A DUDH parece não surtir qualquer efeito para nossa maioria preta, pobre, favelada, interseccionalmente marginalizada.

Image for post
Image for post
https://www.brasildefato.com.br/2019/10/16/mes-das-criancas-24-criancas-e-adolescentes-mortos-em-acoes-policiais-no-rio-em-2019/

Lidamos cotidiana e secularmente com violências e opressões que maculam cada um dos artigos da DUDH em muitos níveis. Poderíamos, aqui, analisar e pormenorizar cada um dos 30 artigos que a integram, como certamente já foi feito em pesquisas circunscritas às Relações Étnico-Raciais e demais campos das Ciências Sociais e Antropologia.

Nesta coluna, quero deter minha atenção, minha indignação, meu luto e meu permanente estado de luta aos eventos necropolíticos deste período nefasto da nossa história, que demarcam e delineiam as claras intenções de extermínio, genocídio e massacre da população preta, pobre e periférica. O dezembro dos direitos humanos iniciou com a força policial ameaçando, aterrorizando, encurralando, esmagando, como visto nas mais escatológicas sequências de filmes de terror/horror, aqueles que não usufruem de humanos direitos por não terem a cor certa, nem o cep certo, nem a conta bancária com o saldo corrente certo. Corpos que são matáveis, riscados da injusta e equação do racismo e do capitalismo, que não provocam nenhum dilema ético-moral quando abatidos.

RACISMO. MASSACRE. BELICISMO. SANHA SANGUINÁRIA. GENOCÍDIO. NECROPOLÍTICA.

São essas nomeações que figuram nos os artigos da hipertextualizada — hoje escancaradas despudoradamente — Declaração de Extermínio dos Direitos, da Dignidade e da Vida de Humanes Pretes e Perifériques.

Sugestão de título. SOS.

Written by

Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store