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Cantoras e compositoras do Samba, com Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, à frente.

Samba. Resistência. Ancestralidade.

Não dá para falar de Samba, sem citar a importância da Pequena África que começava no Porto do Rio de Janeiro e abarcava os bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze. Contudo, naquela época , destacamos a Pedra do Sal, no Morro da Conceição. Ai que saudades da Pedra do Sal, lugar de Samba, Suor e Cerveja. Lugar de encontros ,de desfile da Beleza Preta, de mexer o corpo, a pandemia afastou muita gente de lá. Me afastou. Mas, ainda tem Samba lá. Roberto Moura, autor do livro Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro, nos mostra que “ aos africanos trazidos pelo tráfico diretamente para o Rio se juntavam os negros baianos libertos, alguns dos quais ex-combatentes da Guerra do Paraguai, que buscavam emprego na capital e eram acolhidos por aqueles que os precederam na rota da solidariedade, durante os anos de passagem do século XIX para o XX. Além de receberem moradia e comida, os recém-chegados ainda podiam manter viva sua tradição de origem, presente principalmente na música e no culto aos orixás.

E sabemos: o Samba e a Ancestralidade andam de mãos dadas. Samba,
Suor, Cerveja e a famosa Feijoada! As Festas Religiosas do Povo Preto
sempre foram acompanhadas pelo som dos Atabaques. Samba de Roda,
Samba no pé, Samba de Axé. Depois vieram os Ranchos, os Grêmios
Recreativos, as Escolas de Samba e o Carnaval, considerado o maior
Espetáculo da Terra, principalmente no RJ, Salvador e, que se destaca
também, na cidade de SP, veio lindo, imponente. Tinha a luta pela sobrevivência, mas, depois do trabalho, surgiam os músicos, compositores, que conhecemos até hoje. A maioria deles já se foram, porém, suas obras continuam na história e na memória musical. São ícones consagrados!

2021, com a Pandemia, tudo indica que não teremos Desfile na Avenida, no Sambódromo. Mas, Viver é preciso! Não vamos viver a beleza das Fantasias, o pé no chão, a imponência do Mestre Sala e da Porta Bandeira, o espetáculo da Comissão de Frente ,as Baianas, contudo, ainda não estamos seguros sem a Vacina. Que venha logo! “…Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre Nós..”
O Carnaval sempre empregou muita gente, e agora, com tudo virtual, sabemos o quanto as/os profissionais do Samba estão sendo prejudicados. Muitas Mulheres e Homens Negros estão sem trabalho. E, no Carnaval, Costureiras, Coreógrafos, Aderecistas, Cenógrafos, Figurinistas etc, tinham seu sustento garantido. Enfim, vai passar, como diz o Samba de Chico Buarque “… vai passar pela Avenida um Samba Popular”… O Samba vai voltar pro Sambódromo assim que a vacina chegar aqui. Ufa!

Contudo, quando a gente fala do Samba, não podemos nem devemos, para não negligenciar a história, a nossa História de Resistência das Mulheres Negras no Samba, e na Vida, deixar de falar em Tia Ciata.

Hilária Batista de Almeida, nome de batismo a consagrada Tia Ciata. Na casa
de Tia Ciata, já que ela era uma Mulher de Axé- Yalorisá, se misturavam o
batuque do Sagrado, do Terreiro, o Samba, o Candomblé, a Capoeira, que,
na época, eram marginalizados , criminalizados pela Sociedade e pelo Poder
Público no Brasil. Essa Resistência acontecia na Praça Onze, onde Tia Ciata
morava e batia seu Candomblé. Mas, Tia Ciata de Oxum era articulada
politicamente e conseguiu resistir.

Nós, Mulheres Negras, somos há séculos importantes na construção e
formação da sociedade brasileira. Nós somos a História. Da senzala até aqui,
nossas Ancestrais lutaram por justiça e inclusão e continuamos resistindo, pois “nossos passos vêm de longe”.

Silenciadas pela História, pelo racismo e sexismo, violentadas pelos senhores
escravocratas, nossa luta por equidade ainda se desenvolve, na contemporaneidade. Desde os Quilombos, atravessando os Terreiros de
Candomblé, passando pela Pequena África, pelo samba, por Tia Ciata até
agora, na Marcha das Mulheres Negras, onde continuamos marchando para
resistir aos agravos do machismo, do racismo, da intolerância. Mas, passando pelo Cais do Valongo, pelo Terreirão do Samba, pelo Estácio,
Pedra do Sal, Parque Madureira! Vamos ter Esperança em dias melhores!

Encerro, desculpem, saudando minha Mangueira… ” Mangueira teu cenário é
uma beleza, que a Natureza criou, o, o..” afinal, “ Sou a menina dos olhos de
Oiá….”

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ACERVO DE COMUNICAÇÃO DECOLONIAL, INTERSECCIONAL, ANTIRRACISTA, CIDADÃ E COMUNITÁRIA ATUALIZADO POR MEMBRES DO COLETIVO PRETARIA. UM PROJETO DO PRETARIA.ORG

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