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Harriet Tubman em mural pintado em parede pública.

Sem título. Obra em construção, ou destruída enquanto não há outra vida

Indecisa. Desesperançosa. Cansada. Na profusão de temas, a dificuldade pela escolha de algum, ou alguns, mais apropriado(s) para a escrita do texto a seguir. Talvez não haja. Talvez, igualmente, não devesse haver a coluna ora publicada. Entre eleger falar sobre a crise hídrica fluminense, suas reverberações socioetnicorracais, econômicas e de saúde pública, a iminência fabricada de privatização da companhia de águas e a inépcia do Executivo estadual no trato do problema; a tragédia do melhor exame nacional do Ensino Médio da história (contém ironia, embora a sentença tenha sido proferida) do ministério bolsonarista da Educação que, no bojo da guerra ideológica de cassação da dissidência política à esquerda e/ou qualquer outra progressista, é capaz de menosprezar a gravidade do erro no plano de correção das avaliações e o sonho de ingresso no sistema de ensino universitário do estudantado brasileiro em detrimento de um prazo seguro de revisão de todas as incongruências comunicadas; a não-política federal de educação sexual, planejamento familiar e combate às diferentes formas de abuso (físico, moral, psicológico) promovida pelo criado ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e este risco representado ao futuro da juventude brasileira — em especial feminina, pobre e negra; o apelo explícito ao nazifascismo — e, por isso, à violência de Estado — do agora destituído secretário especial da Cultura e a nomeação da senhora da casa grande uma vez namoradinha do país como substituta de tanta calamidade ética; o caso de racismo a Lorenna Vieira e sua policização como disfarce à perseguição estatal perpetrada a seu companheiro, DJ Rennan da Penha, recém liberto após prisão injusta; e o corpo novamente embranquecido das premiações do audiovisual e artes cinematográficas estadunidenses — aliás, precisamos falar a respeito das produções Harriet (Focus Features, 2019) e Judy (Roadside Attractions / LD Entertainment [EUA] e Pathé [UK], 2019) e saudar o discurso de autorresponsabilidade/responsabilidade histórica branca ante a criação e perpetuação racistas de Joaquin Phoenix no BAFTA 2020 -, além de outros tantos mais proporcionados depois de outubro de 2018 e no decorrer da atual gestão, neste momento, escolhi, ao contrário, apenas lançá-los. A complexidade em abordá-los um a um esbarra ou na minha covardia, ou no meu próprio momento de cansaço, em quanto preciso vivê-lo, refleti-lo enquanto experiência sensorial/psíquica e assim construir nova vida apesar de outra morte. Se o silêncio e, com isso, digo plenitude — em ser, saber, poder e agir unicamente -, vem depois do caminho, a caminhada precisa ser suficiente. E será. Já é, mas nada além do arco-íris (por favor, assistam ao filme Judy). Deixarei as ideias e letras aqui expressas em bloco para estetizar o desabafo. Faço-o, incrédula, como vômito. Olhar a própria sujeira é pedagógico. Deveria, creio. Prometo respeitar a máxima. Até a próxima vida.

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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