Frame de “Minguante”, filme de Maurício Moraes

Sobre inverter os nortes e autonomias de si — uma conversa com o cineasta Maurício Moraes

Em conversa com o jovem cineasta paraense Maurício Moraes, tive a oportunidade de conhecer um pouco sobre o seu insurgente trabalho nessa arte audiovisual. Em nossa conversa, trocamos juntos sobre os nortes hegemônicos que o cinema negro nacional vem buscando inverter e sobre a autonomia que buscam estes novos cineastas negros ao produzir suas narrativas distantes das limitações raciais, pensando num cinema que viva uma diversidade de vivências e subjetividades.

Marco Aurélio — Queria que você falasse um pouco como que despertou essa paixão por fazer cinema. O que te instigou na sua infância? Isso sempre foi um sonho seu, trabalhar com cinema, fazer cinema?

Maurício Moraes

Maurício Moraes — Eu até citei isso um pouco na minha introdução do TCC. Porque eu fiz o TCC, que é o filme, e eu tive que fazer um memorial sobre o filme. Então em minha tradução eu meio que fiz uma trajetória da minha experiência, de como eu comecei, de como eu me interessei, e de como foi meu processo ao longo do curso.

Eu não sei se se teve um mote, uma fagulha, mas eu sei que minha mãe é muito importante nesse processo de construção de imaginários, de trazer filmes. Eu lembro que ela trabalhava — ela ainda trabalha, na verdade — na casa de uma mulher, ela é empregada doméstica, e ela sempre trazia DVDs das filhas da patroa. Então eu tive contato desde criança.

Aí de um tempo da minha infância pra adolescência eu já comecei a meio que perder esse interesse de fazer, porque achava muito distante. Aquele papo, né, da gente não se sentir pertencente. Eu acho que nem na época eu entendia como uma arte, sabe, uma coisa artística. Pra mim era filme.

Mas acho que depois quando eu fui entrando no Ensino Médio, e aquele momento de escolher o que vai fazer, o que vai seguir da sua vida, aquele dilema que todo mundo passa, eu meio que lembrei dessa experiência da infância. Acho que, por isso, eu sempre cito esse primeiro processo, com a minha mãe trazendo os DVDs e eu assistindo. Por isso que eu comecei a me interessar a fazer.

Marco — E aí você estudou o Ensino Médio, aí tentou o vestibular pra Cinema, da UFPA?

Maurício — Na época foi até estranho, foi esse choque pra minha família… Porque é aquela coisa: a gente mora aqui no Norte, não tem tantas referências de outros diretores, por exemplo, se a gente for na rua e perguntar: “Qual é o teu diretor paraense favorito?”, sabe, esse tipo de coisa… Então é uma coisa muito distante. Quando eu cheguei e falei “olha, eu quero fazer Cinema” E foi uma onda, assim… Foi uma “Ah, não dá futuro”, aquela coisa toda, “não sei porque você vai fazer isso”, enfim… Aquela cobrança inicial, mas foi meio que assim.

Marco — Como é que é a experiência lá do curso de Cinema da UFPA? Curso novo ou já tem tempo?

Maurício — Curso novo. Ele fez dez anos em 2020. Na época, eu entrei em 2014, era um curso novo, não tinha estrutura quase nada. Tinha professores, tinha datashow, às vezes nem tinha sala. Aí eu lembro que eu entrei na turma depois que houve uma greve estudantil, dos próprios alunos de Cinema, para a obtenção do prédio, porque não tinha prédio, não tinha equipamento, não tinha câmera o curso, sabe? Nesse nível, assim… E aí eu entrei nesse ritmo de militância estudantil ali do curso. Aí ao longo dos anos o curso foi meio que se estruturando. Então, não digo que foi uma graduação perfeita. Teve muitos atropelos, muitos obstáculos, mas acho que essa falta meio que obrigou a gente a ser um pouco mais político, esforçado, a correr atrás. Claro que não tô falando isso como se fosse uma coisa boa um mérito, né? Nada disso. Mas a gente meio que se esforçou pra tentar correr atrás, a situação do curso não era muito boa.

Marco — Sim. Ainda mais que você falou, o mercado de trabalho às vezes não é o mais sedutor, né? Então as pessoas que entram num curso desse são pessoas que não estejam tanto pensando no mercado de trabalho, né… Pensando mais em desenvolver outro tipo de coisa. E aí a gente sabe que normalmente são as pessoas de elite que acabam conseguindo desenvolver.

Maurício — Aquela lei, a 10639/03, que tem que ter estudos voltados para pautas raciais de afirmação. Eu lembro que no curso de Cinema, quando tive essa matéria, era numa chamada “Seminários especiais II”. Lembro que era a única matéria que a gente parou e viu o cinema realizado na África, realizado por diretores negros. O resto do curso a gente só vê cinema americano, cinema europeu, nouvelle vague, sabe essas coisas assim? De brancos. Então a própria estrutura do curso não contribui pra gente ter esse tipo de diálogo. Apenas nessa disciplina, que na verdade é obrigatória. Não tem uma expansão, até o próprio corpo docente do curso de Cinema não tem negros. Foi ter um de 2019 pra cá mas ele era substituto de uma professora branca que foi fazer o doutorado em Portugal.

Marco — Acho que o curso de Cinema tem que ter isso, e acho também que tem outras coisas do cinema africano que são interessantes, e que vão para outros cursos, como Educação, História, e até cursos mais técnicos, né… tem bastante coisa pra discutir. E aí eu queria saber, nesse crescimento recente que a gente vê, de dez anos pra cá, principalmente, que o cinema negro tá crescendo, cada vez mais tem mais festivais. Eu queria saber na sua visão, o que você sente, o que seria o Cinema Negro pra você?

Maurício — Pra mim, acho que mais do que falar sobre negritude, pra mim é importante que as pessoas negras e pretas falem. Elas estão atuando, elas estão dirigindo, elas estão escrevendo. Então, pra mim, Cinema Negro é mais nesse sentido de quem faz, muito mais do que o assunto que tá sendo falado. Porque a gente tem muitos exemplos aí de diretores brancos de Hollywood que falam sobre negritude. Colocando o personagem negro num estereótipo bem racista, assim. Então, pra mim, o cinema negro é quando é feito por pessoas pretas e negras. Elas mesmas falam de suas experiências, de suas vivências, das suas dores, das suas alegrias.

Marco — Essa pergunta eu costumo fazer para várias das pessoas com quem eu tenho conversado recentemente, e eu gosto dela porque cada pessoa fala uma coisa diferente, mas ela tende a sempre caminhar nesse caminho, que é o de cinema feito por pessoas negras. Não necessariamente tem sempre uma bandeira levantada, ou alguma coisa assim.

Maurício — Que até esperam da gente, né, eu acho que a branquitude espera que a gente só fale de racismo, de dor, enfim… Claro que quando a gente não tá falando, em primeiro plano, quando a gente não aborda esse assunto, mas no segundo plano, tendo um diretor negro e um personagem negro em tela, pra mim isso já é muito significativo. Significa muito. A branquitude tende a pensar que as nossas histórias são únicas. Mas, não, é muito plural. É bem diverso, assim. De várias perspectivas. Por exemplo, no meu filme Minguante (2020), é num viés da sexualidade, num viés — enfim — que já pega essa interseccionalidade de negritude, mas também falando sobre sexualidade, a vida dele, a vida de afeto, a vida… relação com outras pessoas, enfim.

Marco É. Por isso que eu acho interessante essa pergunta, porque a gente também que pensar nessas perspectivas diferentes. Que não é porque — sei lá — duas pessoas são negras que elas exatamente vão sempre falar sobre a mesma coisa, vão querer as mesmas coisas. E elas são atravessadas por várias outras coisas, como você mesmo falou. Eu, aqui, como homem negro do Sudeste, vou pensar cinema negro de uma maneira completamente diferente do que você, um homem negro aí do Norte, sabe? E pensando também essas outras questões de gênero, questão da sexualidade, né. Acho muito importante isso. E eu acho que, às vezes, o cinema negro consegue desenvolver essas temáticas até com mais facilidade do que esse cinema mais hegemônico. Não sei se você consegue já perceber se existe — sei lá -, se a gente pode falar já que existe um cinema negro do Norte, sabe. Pensando nesses festivais que já existem, como no Pará. Queria saber o que você pensa, assim, num Cinema Negro do Norte, ou um Cinema Negro de Belém, um Cinema Negro Paraense.

Maurício — Eu acho complicado essa pergunta porque eu não sei. Eu consigo falar até onde eu consigo chegar. Claro que eu conheço das pessoas, Manaus eu conheço o Rodrigo Antônio, não sei se você conhece… Ele é daqui, mas vive em Manaus e faz essa ponte. Mas eu tô pensando, assim, no sentido dos meus amigos, que vieram comigo nessa caminhada ao longo da graduação. Existem outras pessoas também que participaram nesse festival do Rafael Ferreira, do Festival de Cinema Negro Zélia Amador, que também já é uma galera que faz mais vídeo. Não é necessariamente nesse cinema mais formal que a gente faz, mas também são galeras pretas ali produzindo audiovisual, com celular, com outras mídias que não são usadas nesse cinema mais hegemônico, e da forma mais “profissional”, que dizem. Mas tão aí fazendo. Então acredito que tem como falar de um cinema feito por essa galera, sabe, essa galera que tá ali resistindo, fazendo com pouco dinheiro — eu mesmo não tinha muito dinheiro quando fiz. A gente pode, sim, falar dessas pessoas enquanto cinema do Norte, assim, feito por pessoas negras.

Marco — É difícil ter acesso, às vezes, até a produções aqui do Rio mesmo, do Sudeste em si. Então, às vezes, a gente não tem muito contato, mesmo, com muita coisa vindo de outros cantos. Eu lembro que eu até tentei fazer esse exercício — agora no Encontro de Cinema Zózimo Bulbul, aqui no Rio, — de tentar ver outras produções de outros lugares…

Cartaz de“Minguante”, filme dirigido por Maurício Moraes

Maurício — Participei também, fui selecionado! Eu acho que 2020 veio aí pra mudar muita coisa, assim. Se não fosse dessa forma virtual, provavelmente eu não conseguiria participar das atividades. Acho que isso foi meio que uma coisa boa, assim, se a gente pode tirar coisas boas de 2020. Mas é legal a gente estar nesses espaços… Eu tava falando: eu recebi muito “não” com Minguante. Aí tinha três que eram sobre Cinema Negro. Aí eu acho que eram os meus objetivos, assim, sabe? A minha prioridade era passar nesse aqui, porque eu sei que são feitos por pessoas pretas, o filme vai ser olhado de outra forma, não vai ser olhado numa caixa.

Maurício — Manter, né? Pelo menos transmitir os encontros.

Marco — É… é importante fazer essa circulação. Foi isso que eu tava falando no começo também, né: se não tem distribuição dos nossos filmes, se não tem esses festivais, esse Encontro do Cinema Negro, vários filmes que são riquíssimos.

Maurício — Distribuição é um ponto que a gente… Principalmente falando aqui do Norte, né, é um ponto que a gente ainda bate, sim. Porque produção a gente consegue fazer sem dinheiro, um colega vai fazer a fotografia, outro colega o som, a gente consegue reunir uma galera e produzir. Mas a partir do momento que tá feito, pras pessoas assistirem, eu acho que é um entrave. Acho que os festivais vêm com essa ajuda de fazer com que os filmes circulem e a gente possa… Porque é legal também escutar quem fez, né. Escutar como é que foi escutar o processo. Acho que essa questão é fundamental, tanto pra quem tá ouvindo, quanto pra quem tá refletindo o seu próprio processo.

Marco — Mas aí me fala um pouquinho sobre o Minguante, sobre como é que foi produzir ele, como é que foi essa questão que você tentou trabalhar de corpos dissidentes, essa questão da sexualidade, mas de outras questões, também.

Maurício — Eu gosto de falar, sempre falo dele. Mas eu gosto de pensar nele como se fosse um… não um livro, mas um lugar que o espectador poderia contato com várias histórias. Então desde que eu tava começando a escrever o roteiro, pensava na minha cabeça de que forma eu vou contar várias histórias no mesmo local, que era o bar. O filme só se passa dentro do bar, tipo, integralmente. Então, de que força eu vou ligar essas histórias, de que forma eu vou caminhar por essas histórias. E eu fui afinando esse conceito. Eu tenho a minha amiga, que foi diretora de fotografia, Mariana Morais. A gente conversou bastante e chegou nesse entendimento de que, já que o filme fala sobre pessoas, então é legal colocar a câmera como se fosse uma própria pessoa andando naquele território. Então, acho que é um filme — eu escutei isso num festival que participei — que a câmera é meio que fofoqueira, sabe, e parece exatamente uma presença na mesa de bar. A gente caminhando por um bar, escutando uma conversa aqui, uma conversa ali. Então acho que esse foi o consenso que a gente chegou pra contar essa história que abrange várias histórias, de vários personagens, que, entre eles, tem o Jean, que é o principal. Então a gente ia passando por várias histórias até chegar nesse ponto, que meio que a câmera para e se interessa, assim, que é a história do Jean, de um menino negro gay, que tá falando ali com seu amigo na mesa do bar sobre as suas relações, sobre as suas vivências, as suas rejeições, falta de afeto, principalmente.

Marco — Uma coisa que na hora me chamou atenção, sabe. Caraca. Eu acho que pelo que eu vi aquele plano-sequência tem quase dez minutos. Como é que foi?

Maurício — Nove.

Marco: Nove. Teve que ensaiar bastante…

Maurício — Eu acho que sem trabalho em conjunto, acho que nada disso tinha rolado. Provavelmente o editor teria que cortar, fazer quatro planos, né, ali na mesa. Mas eu falava nos ensaios, olha, é uma coisa que eu posso fazer, mas eu não quero fazer, porque eu acho que perderia um pouco dessa característica. Porque pra mim acaba no final, você vê o produto final, fica como uma característica do filme. Então pra mim eu queria ter esse ponto característico do filme e acho que tá tudo nesse plano. Então eu falo dos atores porque a gente ensaiou muito. Os atores também trouxeram. Por exemplo, aquele diálogo eu não fechei. Quando eu escolhi os atores ainda não tava fechado, só tinha o inicial, pra estartar a conversa, mas tudo que eles falaram, eles improvisaram no ensaio, sabe. Então, a gente junto com o Tarcísio Gabriel que ajudou a preparar o elenco, a gente chegou e fez com que os atores improvisassem essa conversa. Aí desse improviso eu peguei e fui escrevendo o roteiro. Então por isso que eu digo que foi uma cocriação. Por isso também que eu trago eles pro crédito do roteiro, porque eles foram fundamentais. E aí eu acho que tá a nossa conversa sobre cinema negro. Os atores também são negros e eles trouxeram coisas deles, da vivência, do relacionamento deles, das dores dos relacionamentos deles. Tem muita coisa ali que são coisas pessoais, que eles trouxeram. E acho que se fosse de outra forma não ia ter esse impacto que, pra mim, tem. Então gosto muito de falar porque, pra mim, esse processo foi bem legal. Eu lembro da primeira vez e foi como uma terapia. A gente sentou, lendo, assim. Lendo depois do improviso, vendo o diálogo já, que a gente tinha criado ali. E meio que todo mundo se identificando, vendo até que ponto aquela fala atravessava a sua própria vida pessoal. Então acho que foi um momento bem emblemático no processo em si.

Marco Maneiro, maneiro… O método ficou bem legal mesmo. E eu acho que tem isso, né, o set de filmagens, o cinema todo em si, ele tem essa capacidade meio que psicanalítica, quase de terapia, de cura, mesmo. Todo mundo que entra ali no set, e depois que passa por ele, sai de uma forma diferente, vira outra pessoa quase. É uma experiência bem intensa, mesmo.

Maurício — Lembro que a gente teve que refilmar só esse plano. Então, imagina: a gente já tinha produzido tudo, a gente teve que montar tudo por causa da continuidade. Montar tudo de volta, fazer o mesmo plano, por problema de foco, que a gente teve no primeiro dia. Então, a câmera não tava bem posicionada. Então a gente teve que milimetrar tudinho, colocar no chão, a câmera não pode… Ah, foi muito… Os atores tavam na cadeira, eu falava: “Olha, tu não pode muito assim ou tu não pode ficar muito assim, porque vai sair de foco”. Cinema tem essa característica, né. Não é só ligar a câmera, pronto e vai. Tem toda uma questão ali, um circuito, né, parece uma gincana.

Marco — Por conta da milimetragem, ele parecia muito natural, assim. Pra quem vê de fora, parecia realmente uma conversa super natural, até por expressão, e tudo mais. Eu acho que isso é a grande qualidade, né, o que você conseguiu fazer ali.

Maurício — E também era a minha primeira vez dirigindo, né. Acho que essa forma de ensaio, essa forma de filmagem, eu acho que contribui pro meu crescimento artístico como diretor. Essa técnica, sabe, apurar cada vez mais. Foi bem desafiador. Eu gosto de falar do filme dessa forma. Tanto na questão da produção, de fazer, mas tem essa questão meio que técnica, assim sabe. Tinha uma coisa a mais. Um desafio a mais. Aí tudo pra mim… tá até no roteiro… Eu pensava: o roteiro tem que partir do plano sequência, pra frente, antes e depois. Por isso que eu tô te falando, pra mim ali era o filme.

Marco — Como se ali fosse o clímax do filme, ele parte dali e vai expandindo pros outros lados.

Maurício — Se a gente for pensar não tem uma estrutura muito clássica, né. Não tem início, meio e fim. Não é uma coisa, tipo assim: uma história fechadinha, sabe. Tipo, o que fala o filme? É bem subjetivo. Pra cada pessoa fala de uma coisa. Tem vários assuntos… Não sei, não consigo imaginar ele nessa caixinha de início, meio e fim. Era uma coisa que eu queria testar… Estando na Universidade, essa forma de experimentação fica muito mais latente.

Marco Pra fechar: eu queria saber se você consegue essa produção de cinema negro, que a gente vem fazendo, as pessoas vêm fazendo hoje em dia, ela consegue, de alguma forma, promover algum tipo de transformação, de mudança na nossa sociedade? Você acha que é ambicioso demais falar disso?

Maurício — Não acho que é ambicioso. Eu acho que é uma discussão que, pra mim, traz muito a questão da recepção, sabe. Claro que eu não posso prever como cada pessoa vai ver o filme. Então acho que é uma questão mais de recepção, assim, essa pergunta. Não sei, ao meu ver. Com a gente fazendo esses contatos, e a gente rodando com o filme, a gente abrange mais pessoas, e quanto mais pessoas assistirem, mais pessoas — claro que vai ter gente que não vai nem se identificar, nem nada. Vai fazer com que aquilo fosse só mais um filme, mas vai ter gente que vai impactar.

Eu lembrei também do processo do próprio festival Zélia Amador, do Rafael, que tem essa questão de levar esses filmes pra periferia, pras escolas de Ensino Médio, enfim. Então acho que é um trabalho que também… Esse ano não rolou por conta da pandemia, mas é um trabalho que transforma, que chega nas pessoas. Faz com que essas pessoas reflitam, se identifiquem. É uma coisa muito subjetiva, é uma coisa que tá no outro, nessa recepção, assim. Mas acredito que é possível, sim.

Marco Tem que ter otimismo, né, tem que acreditar. Se a gente tá trabalhando nisso, a gente tem que acreditar.

Maurício — Se parar de acreditar eu acho que não tem mais sentido, assim… Só fazer por fazer, e só pra fazer por entrar em certos espaços, não. Não tenho essa pretensão. É claro que eu vivo, né, disso. É claro que esses espaços são importantes, a essa estrutura que a gente pertence. Mas, enfim, não é um primeiro objetivo, sabe. Essa questão, pra mim, é muito importante como artista, mesmo. Que é uma coisa que a gente tem que começar a se considerar mais: quem faz, o pessoal do cinema negro… Porque, pra mim, foi um pouco difícil esse processo de aceitar, de entender que eu sou um artista. Pra mim era uma coisa muito distante, sabe? Pra mim, eu não sei, eu não fazia parte.

ACERVO DE COMUNICAÇÃO DECOLONIAL, INTERSECCIONAL, ANTIRRACISTA, CIDADÃ E COMUNITÁRIA ATUALIZADO POR MEMBRES DO COLETIVO PRETARIA. UM PROJETO DO PRETARIA.ORG

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