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OCUPAÇÕES DE PERFIS. FONTE: https://www.instagram.com/p/CBOgBEGDIwt/

Troco likes por vidas

Estranho? Nem tanto, nosso espírito servil colonial segue nos condicionando enquanto povo inferiorizado, que não consegue dar conta de suas próprias questões internas.

Não que o racismo americano não seja grave e que não faça uma interlocução com o racismo à brasileira. Mas passamos 400 anos gritando veementemente sobre o genocídio negro no Brasil, e sobre tantos outros traumas provocados pelo racismo, sem sermos ouvidos, que de fato chama atenção a peculiaridade dessa comoção.

E de repente, junto dessa comoção, o antirracismo que já era e já é pauta nossa há tempos, virou agenda do dia para a branquitude, que se interpelou de algumas ações.

Uma delas, também replicada dos EUA, foi a ocupação de perfis de redes sociais de pessoas brancas notórias por pessoas negras que também mereciam maior notoriedade, mas que, por conta do racismo, acabam por ter a maior parte de sua audiência formada por pessoas pretas.

Sem citar quais perfis foram ocupados e quem os ocuparam, vamos elencar algumas observações que nos remetem à sofisticação do racismo no Brasil.

Os perfis que com seus donos alcançavam em uma live em torno de 5000 visualizações, passaram a alcançar 200 a 300 visualizações, sendo a maior parte da audiência formada pela população negra que migrou para ver os seus nas grandes contas das redes sociais, especificamente da mais usada e famosa do momento, o Instagram.

Assistimos, também. aos ataques racistas durante essas lives, com ofensas e xingamentos. Ou da forma mais sutil, apesar de todas as explicações nas páginas, as perguntas sobre quem estava ali e porque foram constantes.

Será que essas ações furaram a bolha?

Será que o objetivo era esse?

Até que ponto essa exposição das nossas e dos nossos nos garante a discussão do racismo, a partir dos diversos pontos que ele precisa ser discutido?

Se a questão for visibilidade, talvez tenha funcionado para alguns.

Mas que não tiremos nossos olhos do que realmente importa durante uma pandemia: são as nossas e os nossos que mais continuam morrendo, ainda somos a representação do cárcere e da matabilidade, ainda somos a representação do marginal, do não acesso, do excesso.

Que hajam likes, seguidores e compartilhamentos, mas que também não percamos o foco do principal: por lá, #BlackLivesMatter; por aqui, #VidasNegrasImportam.

ACERVO DE COMUNICAÇÃO DECOLONIAL, INTERSECCIONAL, ANTIRRACISTA, CIDADÃ E COMUNITÁRIA ATUALIZADO POR MEMBRES DO COLETIVO PRETARIA. UM PROJETO DO PRETARIA.ORG

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