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(Vi)vendo o Fim do Mundo

Uma pandemia de um vírus letal transmitido pelo ar, paralisa economias do mundo inteiro, quadriplica o número de famintos e desempregados em todo o globo.

Essa poderia ser a sinopse de mais uma série para maratonar na Netflix, mas esse é o resumo do que estamos vivendo desde março desse ano.

De lá para cá tudo se intensificou de tal forma que a sensação que eu tenho é que estamos vivendo o fim do mundo em looping.

Tudo me parece microfagmentos do fim do mundo.

Fazendo o devido recorte regional, temos governador afastado, prefeito inelegível, outros tantos pré-candidatos presos.

Temos Ministro da Educação afirmando que não é papel do seu ministério cuidar do social, ou seja, ele quase disse que o papel dos ministérios agora é atender ao mercado de capitais, já que não serve mais à sociedade.

Temos também homossexualidade novamente sendo associada à doença.

Temos racistas saindo do armário, ao verem finalmente as coisas recebendo o nome que tem: racismo.

Temos pacto da branquidade sendo atualizado em versão pandêmica e virtual.

A violência policial fazendo suas vítimas em áudio e vídeo, aqui e lá fora. Aqui e lá fora, corpos negros sem respirar na mão do controle do Estado, cada vez mais pesado, mais perverso. A última encomenda vem de São Paulo para Israel, comprando uma arma de guerra para a polícia militar.

Pessoas andando de biquini pelas ruas das cidades em seus carros conversíveis e recebendo garrafadas de águas de outras pessoas, todas essas optaram por descumprir os avisos de que o tal vírus letal anda a solta e resolveram passar o fim do mundo num barzinho do Leblon.

Em meio a tudo isso, crianças, alunas da rede pública Brasil afora, estão há quase um ano sem estudar, enquanto outras começam a desenvolver ansiedade, pânico entre outros comportamentos adoecidos, por conta das pressões de migrar para aulas à distância, sem o menor preparo pra isso e inclusive sem maturidade.

Se é difícil para adultos, imagine o que tem sido para crianças.

Dentro desse cenário, perdemos a noção do tempo/espaço.

Muitos de nós que não adoeceram do vírus em si, adoeceram a partir do adoecimento de suas mentes.

Nossas mentes foram e estão sendo esgarçadas para além do limite possível, em parte por conta do estado pandêmico instalado, em parte por vermos tudo que já era ruim na sociedade ser elevado às máximas potências.

Dia desses a matéria era: “Quem cuida de quem cuida?”, referindo-se aos psicólogos sobrecarregados com o aumento dos pacientes, no modelo de atendimento online.

Os índices são todos trágicos.

Aumento nos números da fome. Aumento nos números dos sem teto. Aumento nos números de casos de feminicídio. Aumento no número de casos de suicídio. Aumento nas queimadas nos dois principais biomas do mundo: Pantanal e Amazônia.

Assim como está tudo, estou eu, vivendo a distopia em curso, apresentando fatos em desordem, administrando-os também em desordem.

Vivendo no tempo do Google, do Facebook, Instagram…da internet das coisas e no tempo do não abraço, do não respeito, do não amor.

Tentando entender para onde vamos.

No fim, ou no pós-fim, parece que não estou falando de racismo, mas foi aí o ponto que nos fez chegar aonde chegamos.

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Existimos para mover estruturas e construir novos paradigmas interseccionais, COM EIXO EM RAÇA, na Comunicação brasileira.

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